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Jogos Olímpicos Rio 2016 - O resumo

Jogos Olímpicos Rio 2016 - O resumo

Agosto 24, 2016 / 581

Jogos Olímpicos Rio 2016 - O resumo

Terminaram os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna na América do Sul em 120 anos de história.
 
Apesar de alguns percalços, a competição correu bastante bem. 

Vamos então ás contas.  

No total foram 19 dias de competição, estiveram 10 500 atletas em ação em 28 modalidades.  

No atletismo os atletas defenderam os seus títulos, outros tentaram dourar a sua carreira com o Ouro ou com a medalha, outros ainda inspiraram-nos pelo seu espírito Olímpico. Todos tentaram o seu melhor!  

Eis um resumo pelos atletas que nos mereceram destaque nas várias disciplinas. 

Usain Bolt - Tri-Campeão Olímpico 

Usain Bolt era o homem mais esperado e mais mediático atleta nos Jogos, pela sua categoria, carisma e boa disposição. Toda a gente quer ver o Bolt que, com todos os holofotes em cima, voltou a cumprir o que se esperava dele: novamente Campeão Olímpico em 100 e 200 mts, 9 medalhas de ouro em 9 possíveis em 2008, 2012 e 2016 ou seja Tri-Campeão Olímpico e por 3 vezes. É obra. Nunca ninguém na história da velocidade o tinha feito. 
Épico. 
E como se disse durante as provas, tornou-se uma lenda.  

Não sendo obviamente o mesmo Bolt de 2008 em que foi demolidor e bateu 3 records do mundo, a verdade é que nos últimos 30 metros de cada final, fez a diferença. E a diferença que fez valeu outra vez … ouro.

Lightning Bolt no seu jeito bem disposto disse assim:

"Eu gosto de entreter. Gosto de fazer as coisas de uma forma diferente. É a minha personalidade, fico feliz que as pessoas gostem"; 
“Na reta, o corpo não me respondeu. Estou a ficar velho” sobre a final dos 200 mts. 
“Alguém disse que posso tornar-me imortal. Mais duas medalhas e posso assinar por baixo. Imortal”, disse Bolt, antes das finais de 200 e 4x100 metros. Confirmou-se o Bolt Imortal. 

Mo Farah - Bi- Campeão Olímpico

Mo Farah, no meio fundo era o homem a bater. E bem tentaram. Com uma queda no primeiro terço da prova dos 10.000, Farah recuperou, manteve um ritmo forte, ao seu estilo, e na última volta, atacado pelos principais adversários que bem tentaram chegar ao ouro, ele não deixou. Não deixou porque é um finalizador incrível. Uma última mudança de velocidade na última recta e lá foi ele outra vez. E a história repetiu-se nos 5000 (menos a queda…). O queniano acelerou a entrada da última curva mas Farah contra atacou e foi de novo avassalador. Farah aos 33 anos conseguiu ser bi-campeão Olímpico na meia distancia com adversários de peso que tudo fizeram para evitar que vencesse, sem sucesso.  

Ashton Eaton - Decatlo - Bi-Campeão Olímico  

O americano Ashton Eaton repetiu o titulo de Londres mas com a diferença curta para um atleta francês que promete, Kevin Mayer.
No ano passado em Pequim 2015 tornou-se bi-campeão mundial do decatlo e bateu novamente seu recorde mundial, com um total de 9045 pontos.
Bi-Campeão Olímico e Mundial. Um Super Atleta!!! 

Eliud Kipchoge - Maratona - Quénia  

8 Maratonas na carreira. 6 vitórias, um 2º lugar atrás de Kipsang que bateu record do Mundo. Ouro Olímpico à 8ª. Um super atleta que começou a sua carreira aos 19 anos no meio fundo.

Almaz Ayana - 10.000 metros - Record do Mundo 

Incrivel prova da atleta da Etiopia que não só venceu como pulverizou o record do mundo dos 10.000 mts que durava desde Setembro de 1993 (23 anos). Almaz Ayana retirou quase 15 segundos à marca que estava na posse da chinesa Wang Junxia (29.31,78) deixando a queniana Vivian Jepkemoi Cheruiyot (29.32,53) na segunda posição e a compatriota Tirunesh Dibaba (29.42,56), campeã em Pequim 2008 e Londres 2012, na terceira posição.Tentou o mesmo nos 5000, teve um avanço confortável, mas quebrou e foi apanhada. Ainda conseguiu o bronze.

Van Niekerk - 400 mts - Record do Mundo 

Assim que atravessou a meta dos 400 metros, Wayde van Niekerk deitou o joelho direito no chão e debruçou-se sobre a perna esquerda. A pista número oito, considerada a mais difícil da pista de atletismo, havia ficado para trás. Estava a rezar. Depois levantou-se, olhou para o céu e enviou um beijo a Deus. Um beijo e um tweet, momentos depois da corrida: “Deus é o poder”. Mas se há deuses na Terra, van Niekerk tinha acabado de se tornar num: tinha batido o recorde do mundo correndo 400 metros em 43,03 segundos. E estava pronto para entrar a história dos Jogos Olímpicos: este atleta sul-africano é o primeiro atleta a correr os 100 metros em menos de 10 segundos (9,98), a fazer os 200 metros em menos 20 segundos (19,94) e o segundo a terminar os 400 metros abaixo dos 44 segundos (43,03). 
Segundo? Nos bastidores dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro estava Michael Johnson. “Massacrou o meu recorde, meu Deus! Nunca tinha visto ninguém fazer aquilo entre os 200 e os 400 metros, ainda para mais pelo corredor oito!”. Em 1999, o atleta norte-americano tinha feito milagres em Sevilha durante o Campeonato Mundial de Atletismo, quando completou a corrida dos 400 metros em 43,18 segundos. A 14 de Agosto último, dezassete anos e doze dias depois, van Niekerk desafiou os relógios e fez a mesma distância em menos 15 centésimos de segundo. “Se ainda estivesse a competir e fosse vencido por outro, estaria furioso e faria tudo para recuperar o meu recorde. Ficaria obcecado diariamente e em cada treino”, admitiu Johnson. Agora é diferente: acredita que van Niekerk pode vir a ser a próxima estrela do desporto.
in Observador 

Ruth Baetia - Salto em Altura

Quem diria quando, depois de fazer um ano memorável em Londres há quatro anos, teve de se contentar com o 4º lugar. Este resultado foi tão frustrante que na altura com 33 anos, disse que foi o suficiente. Desistiu, tornou-se deputada e "quando eu decidi voltar foi para desfrutar, para me divertir". E assim, sem angústia, foi acumulando medalhas sendo já este ano Campeão da Europa aos ….37 anos. A sua serenidade impressiona antes da corrida. "Os anos de seu melhor desempenho, depois de Londres, coincidiram com a paz de espírito."  

Blanka Vlasic merece também ser mencionada. A dominadora do Salto em altura dos últimos 10 anos nunca conseguiu o ouro em JO. No Rio ficou-se pelo bronze que acaba por ser um prémio pela luta contra as adversidades que a atacam desde 2004.

 Julius Yego - Mr. Youtube - Dardo

Os Jogos Olímpicos apaixonam os telespectadores pelas histórias de superação dos atletas. Julius Yego é um exemplo disso. O queniano aprendeu a lançar o dardo sozinho. Ou melhor, vendo no Youtube vídeos dos seus ídolos, o checo Jan Zelezny (campeão olímpico em 1996 e 2000) e o norueguês Andreas Thorkildsen (campeão olímpico em 2004 e 2008).  
Julius Yego é a prova viva de que quando se quer uma coisa, se consegue alcançá-la. Aos 27 anos e sem nunca ter tido um treinador a dizer-lhe o que estava a fazer bem ou mal, conquistou a medalha de ouro no Mundial de Atletismo de Pequim, no ano passado, com um lançamento de 92,72 metros e chegou aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.  
Um homem quis, o queniano sonhou e a internet criou a carreira.“Estava a esforçar-me muito, mas não sabia se estava a fazer tudo correto. Assim, em 2009, decidi procurar na internet como tinha que fazer. Foi desta forma que desenvolvi uma grande disciplina e aprendi como deveria treinar”, lembrou Yego ao jornal ‘El Bocon’.  
Voltou a arrecadar o ouro nos Campeonatos de África, em 2012 e 2014, e nos Jogos da Commonwealth. No ano passado atingiu o auge da carreira, com a sua melhor marca de sempre: 92,72 metros. Esteve para não viajar para o Rio de Janeiro por não ter bilhete. Comentou isso na sua página de Facebook e os atletas da comitiva queniana recusaram-se a viajar até que a situação de Julius fosse resolvida. A final decorreu no domingo, dia 21, e foi atribulada. No segundo lançamento Yego sofreu uma lesão no tornozelo que o impediu de fazer as restantes tentativas.Conhecido por ‘The YouTube Man’, já abandonou o Brasil, onde fez amigos como o tricampeão jamaicano Usain Bolt e o norte-americano LaShawn Merritt, medalha de ouro na prova de estafeta 4 x 400m masculino e bronze nos 400 m.“Deixo os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro como um grande homem que conviveu com os grandes!! Foi espetacular estar lá #i when, saw and conquer!” (fui, vi e conquistei), escreveu no Facebook.
Fonte: Movenoticias  

Salto à Vara - Thiago Braz

Uma das maiores surpresas no atletismo foi a vitória do atleta brasileiro Thiago Braz da Silva no salto a vara, com uma prova épica, com um salto para a eternidade: 6,03 metros.
O super favorito era o francês Renaud Lavillenie (campeão olimpico em titulo, campeão europeu, e mundial, este em pista coberta, falta-lhe o titulo mundial ao ar livre). E o seu concurso foi limpo e arrasador, saltou tudo a primeira, inclusive 5,98 mts. Depois deste salto, foram festejos exuberantes tal como os da sua equipa. Parecia que estava ganho mas depois de bater o record do Brasil com um salto fantástico a 5,93, e falhando o primeiro a 5,98, Thiago e o seu treinador elevaram a fasquia para 6,03 mts. E resultou. E foi lindo. Com um atleta a jogar em casa.
As atitudes durante e após a competição não são dignas desta grandiosa final.

Nickki Hamblin e Abbey D´Agostino

As duas atletas protagonizaram um momento de grande desportivismo que teve impacto nos Jogos. Todos se lembram do momento da queda e as atletas a ajudar-se. Esta atitude mereceu uma referência do COI que mencionou que "nos Jogos Olímpicos, nem sempre o que mais importa é ganhar". Ambas foram agraciadas com a medalha Pierre de Coubertin que premeia o verdadeiro Espírito Olímpico.
Veja mais aqui.

Natação : Michael Phelps  

Michael Phelps não tinha nada a provar. Já era o maior nadador da história. E chegou ao Brasil muito esperado e apoiado, não só pelos seus, mas por todos. Disse que nunca tinha sentido um apoio tão grande no Brasil. E toda a gente queria ver Phelps. E cumpriu: 6 finais, 5 medalhas de ouro e uma de prata. Estava feliz como se fosse a primeira vez. A subida para as bancadas junto a sua família e, principalmente o beijo no seu filho, foi uma coisa linda de ver.

Natação - Katie Ledecki 

Merece destaque maior, Katie Ledecki, que, sem o mediatismo de Phelps, levou para casa 4 medalhas de ouro e 1 de prata. De recordar que Katie, aos 15 anos de idade, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 na prova dos 800 metros livres.
Em 2013 conquistou cinco títulos no Mundial de Barcelona. Em 2015 conquistou cinco medalhas de ouro no Mundial de Natação de Kazan, na Rússia.
Ledecky em 2016 soma já doze recordes. 
E tem apenas 19 anos!!! 

Ginástica : Simone Biles,

A revelação.  Ela tem apenas 19 anos e já caminha para ser um dos maiores nomes da história da ginástica. A americana Simone Biles conquistou 4 medalhas de ouro
 após performances brilhantesAo falar sobre o bronze, único momento em que deixou a perfeição de lado, Biles não desanimou. "Não estou desapontada, qualquer pessoa adoraria ganhar uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos. Estou desapontada, sim, pela exibição que eu tive", afirmou, citando especificamente o momento em que perdeu o equilíbrio na trave, o que comprometeu sua apresentação.

Também o destaque para Oksana Chusovitina que, quando Simone Biles nasceu em 1997, Oksana já havia conquistado cinco medalhas em mundiais e um ouro olímpico apresentando-se nestas suas últimas olímpiadas com 41 anos. Incríveis as duas.


Mais atletas se destacaram pela positiva e negativa. Pode ver aqui neste artigo,  

Curiosidades:

1. Yusra Mardini, natação, Delegação dos Refugiados  
Yusra Mardini era a primeira atleta a competir pela inédita Equipa Olímpica de Atletas Refugiados (fez os 200 metros borboleta). O que conquistou o coração de todos nós não foi tanto sua performance, mas o caminho para chegar até lá. Há nove meses, a jovem de 18 anos fugiu da Síria com a irmã, Sarah, para sobreviver à guerra civil. Enquanto faziam a perigosa travessia entre a Turquia e a Grécia, o motor do barco em que estavam parou de funcionar e a tripulação ficou à deriva nas águas geladas do Mediterrâneo. Yusra e a irmã tomaram a decisão de cair no mar e nadar por três horas e meia puxando a embarcação que levava outros 18 passageiros.  

2. Majlinda Kelmendi, judo, Kosovo  
"Ainda existem crianças no Kosovo que não sabem se seus pais estão vivos. Crianças que não têm o que comer nem livros para ir à escola. Eu saí desse país para me tornar campeã olímpica – isso significa muito”, diz a judoca Majlinda Kelmendi, 25 anos, após subir ao lugar mais alto do pódio na categoria 52 kg e se tornar a primeira medalhista olímpica da história do Kosovo, país que declarou independência da Sérvia em 2008. Como a nova nação ainda não era reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (Coi), nos Jogos de Londres, em 2012, Majlinda teve que competir representando a Albânia e foi desclassificada logo na primeira luta. O reconhecimento do Coi só veio em 2014, mas alguns países, incluindo o Brasil, ainda não consideram o Kosovo independente.  

3. Rafaela Silva, judo, Brasil  
A primeira medalha de ouro do Brasil nesta Olimpíada não veio de graça. Mulher, negra e da Cidade de Deus, comunidade carente do Rio, Rafa teve que superar muito mais do que sua adversária no tatame. Na última Olimpíada, em Londres, a judoca talentosa, que despontou em um projeto social, já era esperança de medalha, mas foi desclassificada logo na primeira luta ao executar um golpe ilegal. Abalada por ver seu sonho desmoronar por uma desatenção,  Rafa ainda sofreu com comentários racistas nas redes sociais. Na segunda (8), a atleta transformou toda a mágoa de quatro anos atrás em força, derrotou quatro adversárias sob os olhos da torcida brasileira e levou a medalha de ouro na categoria peso-leve, ao derrotar a judoca da Mongólia Sumiya Dorjsuren, líder do ranking mundial. “Essa é a resposta a quem disse que judô não era pra mim, que eu era motivo de vergonha para a minha família e que lugar de macaco era na jaula. A resposta é essa medalha no meu pescoço”, desabafou a atleta em entrevista coletiva logo após a vitória.  

4. Doaa Elghobashy, volei de praia, Egito   
Doaa, 19 anos, ficou famosa desde que uma foto sua disputando a bola com uma atleta alemã fez furor nas redes sociais. O desporto, de facto, vence as diferenças: a atleta egípcia, que é muçulmana, aparece de hijab, uma espécie de véu sobre a cabeça, e com o corpo todo coberto, enquanto a adversária Kira Walkenhorst joga com o biquíni tradicional. “Uso hijab há 10 anos e tenho muito orgulho disso. Ele não me impede de fazer nada que eu ame. E o vôlei de praia está entre as melhores coisas que já me aconteceram na vida”, disse a atleta após sua estreia, que é também a estreia do Egito no vôlei de praia em Olimpíadas. Sua parceira de quadra Nada Meawad, 18 anos, segue uma linha diferente na religião e não é adepta do véu. No entanto, uma regra da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) determina que as duplas vistam o mesmo uniforme, então Nada joga de calça e mangas compridas como sua companheira. E o que torna a história delas ainda mais incrível: até um ano e meio atrás, nenhuma das duas meninas sequer tinha jogado a modalidade.   

5. Gaurika Singh, natação, Nepal  
Com apenas 13 anos, Gaurika é a atleta mais nova a competir no Rio. A nadadora, que nasceu no Nepal, mas vive em Londres desde os 2 anos de idade, disputou a prova dos 100 m costas. Pouco antes de cair na água, rasgou o fato de banho e a atleta discutiu com o seu técnico se deveria ou não trocar a peça. O problema é que, como ele teve que ficar em Londres por questões financeiras, essa conversa e toda a preparação final da atleta foram feitas por mensagens de texto. No final, Gaurika nadou, mas não se qualificou para a final (eram 34 competidoras e ela fez o 31o tempo).

 
PORTUGAL  
Destaque maior para Telma Monteiro que conquistou a medalha de Bronze, merecida depois de uma carreira de sucesso em Mundiais (Vice-Campeã)  Europeus (Tetra-Campeã Europeia).  
Nelson e Patrícia no Triplo estiveram perto das medalhas em concurso muito fortes.
Rui no Taekwondo, Os canoístas Emanuel e Fernando, Dulce na Maratona tiveram exibições meritórias.
O tri-atleta João Pereira "viu o bronze ali tão perto". Grande resultado.
Negativo foram as lesões que impediram as atletas da Maratona (Sara e Jessica) de conseguirem também bons resultados.

Todos os atletas merecem o nosso respeito!

Artigo com a colaboração de Franck Carreira para Allinrace

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