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Londres 2017 - Mundiais de Atletismo

Londres 2017 - Mundiais de Atletismo

Agosto 15, 2017 / 433

Londres 2017 - Mundiais de Atletismo

Fecha-se o palco ficam as memórias.
Com a saída de cena de dois dos seus principais protagonistas, chega ao fim uma era de grande espectáculo. Outras virão mas é um privilégio ter visto e vibrado com Mo Farah e Usain Bolt.

Já muito se escreveu sobre os Mundiais e, mais uma vez, quisemos dar destaque aos atletas, histórias e provas que mais marcaram estes campeonatos. 
Vamos então aos destaques:

Mo Farah - 10000 e 5000 

O incontornável Mo foi de novo soberbo, e como é habitual, foi atacado nos 10000 mt por uma armada africana que estava mais preocupada em que Farah não ganhasse do que noutra coisa. Farah sobreviveu a todos os ataques e ainda deu mais uma aceleração na recta final. De novo épico.
Nos 5000, Mo Farah nao conseguui a dobradinha como se esperava. O etiope Muktar Edris teve uma melhor aceleração a caminho da meta e tornou-se no homem que finalmente bateu Farah o que, só por si, é um feito.
Farah vai deixar as provas de pistas para se dedicar de vez a estrada (maratona).  
Farah na hora da derrota foi também um Campeão.

Usain Bolt - 100 e 4x100
Cedo se percebeu que não estava em Londres o dominador Lightning Bolt. Era o princípio da despedida do maior velocista de todos os tempos.
Bolt mesmo com a 3ª posição atrás de Gatlin (35 anos) e do jovem norte-americano Christian Coleman (melhor marca mundial do ano com 9,82) continua a ser o mais aplaudido (no fim da corrida e no pódio), Ninguém quer acabar com uma derrota mas Bolt não tinha mais nada a provar. Vai continuar a ser um dos maiores craques da história do atletismo. E manter-se mais de 10 anos no topo da velocidade não é para qualquer um. Os records foram feitos para cair mas 9,58 nos 100 e 19,19 nos 200 não vão ser nada fácil de superar.
Nos 4X100 o pior aconteceu para Bolt, uma lesão no seu último percurso a deixar a Jamaica fora das medalhas

Têm a palavra os novos talentos!

Ayana Almaz - 10000 e 5000
Uma final sem história muito por culpa da Almaz que, aos 12 minutos de corrida foi-se embora e venceu destacadíssima deixando a 2ª a 50 segundos.
Ayana, depois do domínio avassalador nos 10000, procurava tal como Farah a dobradinha, mas uma ponta final forte da queniana Obiri não lhe deu hipóteses. A holandesa Sifan Hassan ficou com o bronze. 

100 mt
Grande surpresa com a derrota da super-atleta jamaicana Elaine Thompson, impressionante nas eliminatórias, e que parecia estar sem energia na final (soubemos no dia a seguir que um vírus em alguns hotéis afectou uma série de atletas, a maior parte desistiu da competição, o que não aconteceu com Thompson). Ficou em quinto. A glória foi para a norte-americana Tori Bowie (não entrou nos 200m por causa do vírus…). A Marfinense Ta Lou cheirou o ouro mas não chegou. A sprinter holandesa Daphne Schippers, menos impressionante do que o habitual pelo que se viu nas eliminatórias, ainda alcançou o bronze. 

110 barreiras
Grande prova de Omar McLeod, primeiro campeão do mundo jamaicano na distância. Um atleta muito bom tecnicamente, que raramente derruba uma barreira…Não derrubou nenhuma na eliminatória, semifinal e final. Impressionante.

1500 M
Grande prova com um final épico com a atleta da casa Laura Muir a morrer na praia na luta pelo bronze, batida na meta por Caster Semenya… A queniana Faith Kipyeon ganhou o ouro e a surpreendente veterana americana Jennifer Simpson (campeã do mundo em 2011) ficou com a prata.

Dois quenianos, Manangoi e Cheruiyot, com ouro e prata sem grande discussão.O bronze foi renhido e foi para o norueguês Filip Ingebrigsten.

800 M
Uma das maiores surpresas dos mundiais, até diria a grande surpresa: o francês Pierre-Ambroise Bossé, o menos cotado dos 8 finalistas, fez uma corrida sensacional, deixando o fabuloso atleta polaco Adam Kszczot com a prata, e o queniano Bett com o bronze. Bossé diria mais tarde que estava à espera que o passassem na reta da meta não aconteceu e ainda bem. Quem diria ?

Caster Semenya confirmou o favoritismo no sector feminino e foi igual a si própria na hora da decisão. Francine Niyonsaba do Burundi e Ajee Wilson dos Estados Unidos bem tentaram mas ficaram com as outras medalhas.

Wayde Van Niekerk. - 200 e 400
Actual campeão olímpico e que no Rio bateu o record do mundo do mítico Michael Johnson, foi mais uma vez insuperável nos 400 metros. Na final, e ao contrário do que se vê habitualmente, abrandou nos últimos metros, o que normalmente só se vê nas eliminatórias.
Nos 200 metros, Wayde Van Niekerk safou-se com um dos melhores 2 tempos. Estava cansado como viria a confirmar no flash interview (3 provas de 400 e 1 de 200 até ontem). Tinha 24 horas para recuperar para a final.
Van Nierkerk procurava o feito unicamente alcançado pelo mítico Michael Johnson : ganhar os 400 m e 200 m na mesma competição, mas não conseguiu. O atleta Turco Ramil Guliyev (nascido no Azerbaijan…) foi fenomenal e foi umas das surpresas dos mundiais. Festejou com as 2 bandeiras a volta do pescoço…

As grandes provas internacionais acabam sempre por ter um ou outro episódio dramático, como ontem. Até alguns metros da meta dos 400 femininos, ninguém punha em causa a vitória da atleta das Bahamas Shauna Miller. Mas "estoirou" nos últimos metros e acabou em quarto. Dramático para ela e para quem viu.

Karsten Warholm - 400 barreiras
Sensacional vitória do jovem norueguês de 20 anos.. Nem fazia parte do lote de favoritos ás medalhas… Uma das grandes surpresas dos mundiais.


Emma Coburn - 3000 obstáculos
E quando se esperava um novo domínio africano, principalmente nesta prova em que são sempre os quenianos a ganhar, eis que duas atletas norte americanas deram um grande festival : Emma Coburn, com novo record dos mundiais, e Courtney Frerichs, fizeram uma prova incrivel e conseguiram a dobradinha para os Estados Unidos. Jepkemoi foi a unica das 4 quenianas a conseguir uma medalha. Contra todas as expectativas.

No obstáculos masculinos um queniano a ganhar (Kipruto), nada de novo, um marroquino com a prata (El Bakkali) mas um americano no pódio (Evan Jager, mesmo americano, havia outro queniano naturalizado americano…) e detentor da melhor marca mundial do ano é obra.

200 metros
Daphne Schippers, ao contrário do que tinha acontecido nos 100 metros, foi fenomenal nas series e na final.Um titulo merecido, mas com Ta Lou outra vez perto do ouro, como nos 100. A atleta das Bahamas Shauna Miller conquistou o bronze, um prémio justo depois do que tinha acontecido na final dos 400.

Sally Pearson - 100 barreiras
A supersónica australiana Sally Pearson, impressionante na meia final, foi a mais rápida na final com 12,56 (tal como o jamaicano McLeod nao deixou cair nenhuma barreira).A quatro décimos ficou a norte americana Dawn Harper, e a alemã Pamela Dutkiewicz ficou com o bronze a frente de duas americanas mais cotadas.
Depois de ser campeão do Mundo em 2011 e campeã olímpica também em Londres 2012, recupera o título depois de muitas lesões nos últimos anos. Curioso é treinar sozinha.

4x100
Sem a Jamaica de Bolt (lesão), o quarteto americano foi superado pela equipa inglesa perante o delírio do público. O Japão conseguiu uma brilhante medalha de prata.

Nos femininos, uns últimos 50 metros fortíssimos da campeã mundial dos 100 metros Tori Bowie deu o título ás americanas. as britânicas ficaram em segundo e a Jamaica em terceiro.

4x400 
Estados Unidos com o ouro, sem surpresas (com a ajuda da mais medalhada de sempre Alyson Felix com 15 medalhas), Britânicas com a prata e a surpresa, Polônia, com o bronze. A Jamaica não chegou ao fim, uma atleta lesionou-se, a semelhança de Bolt...

Última prova dos mundiais e última surpresa : grande vitória do quarteto de Trinidad e Tobago, a frente dos americanos e britânicos. Grande prova, ultimo percurso alucinante de Lalonde Gordon que recuperou terreno, passou o americano Fred Kerley e deu o ouro ao seu pais. Brilhante!

50 km marcha
Johann Diniz, atleta francês, venceu com estrondo com 7 minutos de avanço sobre a dupla japonesa. Grande vitória do homem que em 2014 venceu o título europeu, bateu o record do mundo e a caminho da meta pediu uma bandeira francesa e outra portuguesa em homenagem a sua avó. Espectáculo!

Nos femininos, e na estreia da distância nos Mundiais, a grande notícia para o atletismo português. Inês Henriques, aos 37 anos, conquista a medalha de ouro de campeã do mundo e estabelece novo record do mundo. Uma prova do outro mundo da atleta lusitana. Um grande feito numa das competições mais duras do atletismo. Parabéns Inês e obrigado.
Mais tarde disse Inês que “O que eu fiz é muito duro, mas o que a minha mãe faz todos os dias é muito mais”. Obrigado Inês, Campeã e Recordista do Mundo Portuguesa.

20 km marcha
Eider Arévalo (Colombia) e Serguei Shirobokov (Rússia) protagonizaram uma rara chegada ao "sprint" (se é que se pode dizer sprint na marcha..) com o colombiano a ganhar por uma diferença de 2 segundos. Outro sul-americano, o brasileiro Caio Bonfim ficou com o bronze.
 
À semelhança do que aconteceu na prova masculina, um título discutido até ao fim, com uma diferença de um segundo. A chinesa Yang venceu a frente da mexicana González. A italiana Antonella Palmisano ficou no pódio porque uma atleta chinesa foi desclassificada perto do fim, com um terceiro aviso de marcha irregular...

Salto altura
Algum dia o incrivel atleta do Qatar Mutaz Barshim iria ganhar um grande titulo. Foi agora com um concurso fenomenal : passou tudo a primeira até 2,35 sem espinhas. Já campeão tentou 2,40, esteve muito perto mas não deu. Soberbo. A jovem promessa russa Danil Lysenko ganhou a prata com 2,32 e o atleta sírio Ghazal ganhou uma merecida medalha de bronze com 2,29.

Majd Eddin Ghazal 
O atleta sírio do salto em altura tem uma história de vida interessante. Devido a guerra civil no seu país, esteve envolvido num bombardeamento perto de onde costuma treinar, e por pouco não fez parte da lista de vítimas. Apesar desta experiência traumática, tem seguido o seu percurso profissional o melhor que pode e tem conseguido resultados de grande nível.Porta bandeira da Síria nos jogos olímpicos de Londres em 2012, Ghazal tem habitualmente imensos problemas com as embaixadas por causa dos vistas (foi impedido de entrar em Marrocos para competir numa das provas da Diamond League) e segundo o próprio, tornou-se um especialista em resolver problemas deste género.Apesar de todos os problemas locais, ainda viva e treina no seu país. Nas competições, não tem médico, fisioterapeuta ou massagista (o que lhe faz muita falta para recuperar entre as provas). Esta temporada a sua melhor marca é de 2,32 enquanto o seu record pessoal é 2,36 conseguido o ano passado na China. A medalha de bronze nestes mundiais de Londres é um prémio mais do que merecido para um atleta que consegue grandes resultados apesar de todas as dificuldades que têm surgido ao longo da sua carreira.
No sector feminino, não houve surpresa quanto à vencedora. Desde o princípio que se percebia que dificilmente o título iria fugir a fabulosa atleta russa Maria Lasitskene. Uma grande facilidade a passar as fasquias (uma única falha a 1,99) até conseguir 2,03 a primeira tentativa. A bela ucraniana Yulia Levechenko de 19 anos deu luta, fez 2,01 e mereceu a prata.Kamila Liwincko, polaca, fez 1,99 e ganhou o bronze.

Disco 
A sensação do lançamento do disco, a croata Sandra Perkovic deixou cedo a ideia que não havia ninguém que lhe podia tirar o título de campeã do mundo.Dois lançamentos acima dos 70 metros fez imediatamente a diferença. Grande prova da australiana Dani Stevens que ficou com a prata e ainda assustou a croácia no último lançamento. Bronze para a França.

No Disco Masculino venceu por 2 centímetros o jovem lituano Andrius Gudzius, a frente dos favoritos, entre eles o sueco Daniel Stahl. Desta vez, o super-campeão Piotr Malachowski ficou fora das medalhas.

Comprimento (H):  
O concurso mais regular foi do norte-americano Jarrion Lawson (não fez um único salto nulo, e todos os saltos andaram entre 8,30 / 8,40, fez lembrar a regularidade do grande Carl Lewis), merecia o ouro mas um salto de 8,48 do Sul africano Manyonga fez a diferença. O seu compatriota Samaai acabou com o bronze, o que é a melhor final de sempre para a África do Sul.

Maratona (H) 
nada de surpreendente, 3 atletas africanos medalhados : Geoffrey Kirui, Quenia, Tamirat Tola, Etiópia e Alphonse Simbu, Tanzania ; Sensação britânica, Callum Hawkins (oitavo no Rio), acabou em quarto na prova. Promete porque só tem 25 anos, idade invulgar para um atleta a competir na maratona.

Salto a vara (M)
Excelente final com a belíssima norte-americana Sandy Morris (parece uma modelo) a dar muita luta a imparável campeão olímpica grega Ekaterina Stefanidi.

Salto a vara (H) : um verdadeiro espectáculo até ao fim. O recordista do mundo e campeão olímpico de Londres 2012, Renaud Lavillenie, nunca foi campeão do mundo e também não foi desta. O título foi para o norte-americano Sam Kendricks, grande atleta e verdadeiro exemplo de fair-play (bate palmas com o público quando os concorrentes estão para saltar.. mesmo no último salto do francês, que lhe podia ter retirado na “meta” a possibilidade de ser campeão do mundo)

Peso 
Fabuloso concurso do Neo-Zelandês Tom Walsh, que fez uns 6 lançamentos sempre em crescendo, acabando finalmente ultrapassando os 22 metros. Campeão do mundo justíssimo.

Fem: Com a chinesa Gong com o ouro, acabando por superar a favorita norte americana Carter, quem se intrometeu na luta pelas medalhas foi a húngara Anita Marton, que no último lançamento chegou mesmo a prata.

Martelo (M) 
Depois de um início pouco brilhante, de repente a super favorita polaca Anita Wlodarczyk arrumou toda a concorrência. Limpinho..

Dardo (H)
Johannes Vetter, líder incontestável do ano com uns incríveis 94,44 confirmou o favoritismo mas a surpresa foi a Alemanha nao conseguir as 3 medalhas. Jakub Vadlech e Petr Frydrych, checos da escola do mítico Jan Zelezny, fizeram sofrer o jovem alemão na luta pelo ouro e chegaram ao pódio. 

Dardo (M)
a recordista do mundo Barbora Spotakova foi de novo imparável, mesmo com a armada chinesa na final. A República Checa já tinha o maior lançador de dardo da história (Jan Zelezny) e também tem uma grande atleta, dupla campeã olímpica e agora dupla campeã do mundo. Uma modalidade fortíssima e com muita tradição naquele país.

Triplo Salto (M)
Tal como no Rio, as nossas Susana Costa e Patricia Mamona marcaram presença na final mas não foram felizes. O nível foi titânico com as sul-americanas muitas vezes perto dos 15 metros, só acompanhadas pela veterana campeã Olga Rypakova (14,77 ontem). Um final de prova incrível, com a jovem venezuelana Rojas (tem umas pernas que nunca mais acaba) a ficar com o ouro (14,91) com 2 centímetros a mais que a fabulosa, simpática e divertida colombiana Caterine Ibarguen (14,89).

Triplo salto
valeu a pena ver o duelo entre os 2 americanos : Christian Taylor, o campeão olímpico e detentor da segunda melhor marca da história conseguida este ano (18,21), e o também excelente Will Claye. Taylor venceu com 17,68, mais 5 centímetros do que o compatriota. E o nosso Nelson Évora ganhou mais uma medalha (17,19), o que é incrível aos 33 anos. Elogiado pelo actual campeão olímpico do salto em comprimento Greg Rutherford (“incrível como aos 33 anos e depois de passar por muitas lesões, continua a ganhar medalhas. Brilhante”).

Salto Comprimento (M)
A final mais renhida dos mundiais. A norte americana Britney Reese confirmou o grande currículo (campeã olímpica em Londres 2012, ficou com a prata no Rio, mas com esta vitória sagrou-se tetracampeã mundial), a frente da lindíssima atleta russa Darya Klishina. Tianna Bartoletta, americana campeã olímpica no Rio, ficou com o bronze. Uma final muita disputada : Reese fez 7,02, Klishina 7,00 e Bartoletta 6,97. A sérvia Spanovic, melhor marca mundial do ano com 7,24 em pista coberta, ficou a um centímetro da medalha...

Martelo (H) 
Uma final equilibradissima. A cada lançamento as medalhas mudavam de pescoço...Em grande forma o polaco Fajdek andou muito perto dos 80 metros. Pronkin, russo e Nowicki, polaco, ficaram com as outras medalhas. Uma grande final em que 7 atletas passaram a barreira dos 77 metros. Muito bom.

Por último, embora não um atleta mas merece destaque a mascote Hero The Hedgedog. Ver aqui.

Franck Carreira para Allinrace

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